Estamos fazendo tudo errado? Ernest Mayer… nunca ninguém me falou dele

Até no dia do seu enterro, Del Nero me fez conhecer novos lugares

12 de Maio de 2008 às 11:54 admin  | Enviar por e-mail

Caros, amigos

Confesso que demorei a escrever algo sobre o Del Nero. Já se passaram três dias da notícia da sua morte e só agora consigo dedilhar algumas linhas com trechos confusos. Com formação e atuação em Jornalismo, confesso, me sinto incapacitado de escrever algo que seja, no mínimo à altura do Del Nero. Nesse ponto, o Kogler foi excepcional, no seu blog, ele sintetizou o que queria dizer naquele momento. Obrigado Kogler, me senti mais amparado na manhã de sábado, depois do terremoto mental que aconteceu comigo na sexta à tarde, quando recebemos a notícia do falecimento do Del Nero. Participávamos do tradicional seminário do Cognitio, espaço onde o Del Nero, por diversas vezes, elevou o nível dos debates.
Na cultura popular, se diz que sempre que alguém morre, vira Santo. Del Nero não tem vocação para isso. Entretanto, discorrer sobre a importância dele no meu processo de aprendizagem sobre Ciências Cognitivas iria para o caminho do exagero, pois não consigo sintetizar o que aconteceu comigo depois que freqüentei os seminários e as aulas da disciplina ministrada pelo Del Nero. Assisti três anos o mesmo curso, mas nunca uma aula igual à outra, nunca.
Como idealizador do Núcleo de Ciências Cognitivas da USP, incentivador na busca do conhecimento transdisciplinar, provocador e, principalmente, um inquieto, Del Nero se foi. Porém, ele permanece em nossas mentes.
Até depois de morto, Del Nero me fez conhecer o Cemitério da Paz, um lugar belo, apesar da sua finalidade.
Enfim, como desde o dia que conheci o Del Nero, ele me levou para caminhos que nunca pensei estar e, agora, sei alguns deles, vou neles até onde conseguir, ou seja, até onde a vida findar.

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1 Comentário Faça seu próprio

  • 1. JK (um outro...)  |  12 de Maio de 2008 às 15:19

    Caro Walter,
    Tornar-se santo é relativo às pessoas que ficam. É o efeito rebote. Perdemos as oportunidades de dizer de quem se foi aquilo que queriamos ter dito, ou porque ele também não o deixaria dizê-lo. Agora se diz tudo aquilo de bom que se sentia, sem as restrições ou os pudores e temores do relacionamento humano. No fundo, nossa tendência é sempre prezar o outro, somos criaturas amistosas. Mas a dinâmica da vida em sociedade muda isso para um jogo com muitas nuances. É esse o lado triste… é preciso remover a barreira para podermos ver.
    Lendo suas palavras, eu estava pensando sobre o cemitério - simbolicamente ele representa uma porta de saída de quem se vai, mas uma porta de entrada para quem fica. E eu não entrei naquele dia…
    []’s
    JK

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