Arquivo de Setembro de 2008
A discussão sobre se existe Web 2.0 ou não, já se tornou preocupante. É fato, o termo pegou e “engoliu” o conceito. Como palha de aço é Bombril e lâmina de barbear é Gillete, Web 2.0 virou sinônimo para tudo que transita pelo protocolo TCP/IP e quem tem como interface a web. Entretanto, ao ver o texto histórico apresentado por Tim Berners-Lee ao Cern (1989), propondo do WWW , que ele tinha denominado antes de Mesh, é visível que um dos atributos da tecnologia é a colaboração, a “feature” propalada pelos que dizem que a Web 2.0 é que tem esse “poder”.
Bernes-lee, lá pelas tantas no seu projeto, afirma que a tecnologia utilizada através do protocolo UUCP, utilizado, por exemplo, pela famosa rede colaborativa dos anos 80, a Usenet, ainda não é a ideal. A sua observação analisa que a arquitetura informativa hierárquica na forma de árvore, utilizada pelo UUCP, era inflexível e que deveria ser adotada outra forma de manipulação da informação, que seria através de hipertexto. Cita com todas as letras outro gênio, Vannevar Bush, idealizador do conceito por intermédio do Memex.
Atualmente, vemos muita gente do mercado, altamente compreensível, vendendo o conceito de Web 2.0 como revolucionário. Mas, o pessoal da academia adotando o termo, é preocupante, pois teriam por princípio realizar uma pesquisa histórica e conceitual. Entretanto, vejo isso como um processo natural. No mundo da informação redundante, o que sobrará, para quem realmente quer entender o que acontece nos processos que envolvem as redes de computadores e os seus impactos na sociedade, serão as informações que estruturam pensamentos coerentes. No caso da Web, temos que beber na melhor fonte, original, Tim Berners-Lee.
Um breve adendo: Vinton Cerf, inventor junto com Bob Kahn do protocolo TCP/IP, perguntado, recentemente, sobre o conceito Web 2.0, elegantemente, disse, “prefiro coevolução”.
25 de Setembro de 2008 às 21:17
admin
Numa discussão, envolvendo alguns alunos de pós-graduação, sobre os conceitos comunidade e sociedade pensados pelo sociólogo alemão Ferdinand Tonnies (sec. XIX), conectei com a possibilidade antropológica sobre a possível “fusão” entre o homo sapiens e o neantherdalis. Para um ramo da antropologia, o homo sapiens é mais individualista, enquanto, o neanthertalis , tenderia ser mais cooperativo, digo comunitário. Como o neanthertalis sumiu sem deixar rastros, uma das hipóteses é que ele foi “incorporado” pelo homo sapiens.
No debate, o centro foi se o ser humano atual é indivualista, mais social ou se consegue ser os dois, dependendo das circunstâncias? Transportando esse eixo da discussão para o campo da evolução tecnológica computacional, analiso que a invenção do computador se deu por um caráter individual. Pois, se a arquitetura do Von Neumman tinha como metáfora o cérebro, ou seja, “emular” como a mente humana funciona (uma porta lógica querendo parecer como um neurônio). Já a estrutura do Mainframe deu oportunidade para que mais pessoas participem do processo de armazenamento e recuperação de dados. Já a invenção do conceito Personal Computer (PC) pela IBM, volta o sentido para o escopo individual. A criação de protocolos de comunicação para interligar computadores através de redes, fornece de novo o perfil social. Por último, a mais recente tecnologia, para reforçar essa tendência, a arquitetura de mastigar petabytes, o Grid Computing.
Acredito que as redes sociais, hoje a grande febre das malhas computacionais, é uma tentativa humana de reviver, através da tecnologia, o neanthertalis que, talvez, esteja em todos nós.
às 21:13
admin
Acabo de ler uma declaração do psicólogo cognitivo, Steven Pinker, autor do livro Tábula Rasa, entre outros. Em um pequeno espaço na edição especial da revista Veja sobre Tecnologia (pag. 75), Pinker fala da sua inquietação sobre se “nós ainda estamos evoluindo?”. Biologicamente, é provável que não muito, afirma. Pois, segundo o pesquisador, “a condição do homem moderno não contribui para uma evolução real”. Como ninguém na face da terra, Pinker não é o senhor da verdade, basta ver a polêmica dele com outro peso pesado do ciência, Jerry Fodor.
Entretanto, penso que as tecnologias facilitam muito a vida humana. Nem é necessário comparar com o tempo que vivíamos nas savanas da Etiópia, basta comparar nos últimos dez anos. Sob esse aspecto, acredito que Pinker tem uma certa razão em acreditar nessa hipótese.
Mas na mesma revista, outro cientista, o conhecido Gordon Moore, o homem da Lei de Moore, que previu que a capacidade de processamento dos computadores dobraria, enquanto o seu preço diminui. Desta vez, a profecia de Moore caminha para a estagnação do processamento através de um chip, mas isso ainda demorará cerca de 10 anos. Até lá ferramentas e sistemas impactantes serão criados em função do aumento da velocidade de processamento. Ele dá como exemplo, os tradutores universais.
Se nós paramos de evoluir e os chips estagnarão… então….o mundo encontrou a sua placa de STOP.
17 de Setembro de 2008 às 18:51
admin
Tenho tentando entender o uso do termo convergência, principalmente, porque ele é utilizado como palavra-chave para se entender qualquer processo que envolve a mídia digital. Convergência de Meios, Convergência Tecnológica, Convergência de Mídia, Convergência de Linguagem, entre outras utilizações são comuns em textos e artigos pseudo científicos.
Entretanto, pesquisando sobre o tema, encontrei mais alguns, não muito vistos por ai: Convergência de Domínios e Convergência Estrutural.
Sabe-se que foi em 1713, que Willina Derham escreveu “Physico-Theology: Or a Demonstration of the Being and Attributes of God, From His Works of Creation” quando se referiu a “convergences and divergences of the rays”.
O termo, portanto, é oriundo das ciências exatas e é também utilizado na Biologia, Darwin o fazia, mas agora, com a Convergência que atinge o mundo da comunicação e informação, o termo ganhou glamour.
14 de Setembro de 2008 às 16:58
admin