Estruturantes 2 x 0 Web 2.0
A discussão sobre se existe Web 2.0 ou não, já se tornou preocupante. É fato, o termo pegou e “engoliu” o conceito. Como palha de aço é Bombril e lâmina de barbear é Gillete, Web 2.0 virou sinônimo para tudo que transita pelo protocolo TCP/IP e quem tem como interface a web. Entretanto, ao ver o texto histórico apresentado por Tim Berners-Lee ao Cern (1989), propondo do WWW , que ele tinha denominado antes de Mesh, é visível que um dos atributos da tecnologia é a colaboração, a “feature” propalada pelos que dizem que a Web 2.0 é que tem esse “poder”.
Bernes-lee, lá pelas tantas no seu projeto, afirma que a tecnologia utilizada através do protocolo UUCP, utilizado, por exemplo, pela famosa rede colaborativa dos anos 80, a Usenet, ainda não é a ideal. A sua observação analisa que a arquitetura informativa hierárquica na forma de árvore, utilizada pelo UUCP, era inflexível e que deveria ser adotada outra forma de manipulação da informação, que seria através de hipertexto. Cita com todas as letras outro gênio, Vannevar Bush, idealizador do conceito por intermédio do Memex.
Atualmente, vemos muita gente do mercado, altamente compreensível, vendendo o conceito de Web 2.0 como revolucionário. Mas, o pessoal da academia adotando o termo, é preocupante, pois teriam por princípio realizar uma pesquisa histórica e conceitual. Entretanto, vejo isso como um processo natural. No mundo da informação redundante, o que sobrará, para quem realmente quer entender o que acontece nos processos que envolvem as redes de computadores e os seus impactos na sociedade, serão as informações que estruturam pensamentos coerentes. No caso da Web, temos que beber na melhor fonte, original, Tim Berners-Lee.
Um breve adendo: Vinton Cerf, inventor junto com Bob Kahn do protocolo TCP/IP, perguntado, recentemente, sobre o conceito Web 2.0, elegantemente, disse, “prefiro coevolução”.
2 comentários 25 de Setembro de 2008 às 21:17 admin