Resumo do paper aceito no Congresso Internacional Comunicão, Cognição e Media (Braga, Portugal, 23 -25 set)
1 de Julho de 2009 às 13:15 admin | Enviar por e-mail
A ciência moderna começa a entender a maneira como percebemos a passagem do tempo, apesar do tema ser pensado desde a época de Aristóteles. A passagem do tempo, provavelmente, é a característica mais básica da percepção humana. A partir dessa percepção, por exemplo, procuramos coordenar as nossas atividades com a de outras pessoas.
O Jornalismo entende a importância dessa característica humana e implementa uma série de produtos baseados na questão do tempo, produzindo porções selecionadas de informações para serem captadas pela atenção humana, escolhidas por ela e entendidas pela mente humana.
O trabalho não trata da questão tempo somente no campo do Jornalismo, mas nos campos que estudam o conjunto mente/cérebro sobre a perspectiva das Ciências Sociais Aplicadas (Comunicação) e da Ciência Cognitiva. Entretanto,o trabalho menciona os diversos modos como termo tempo é empregado e estudado na Ciência, para que se recorte devidamente o tema pesquisado, utilizando a metodologia de observação indireta bibliográfica e documental.
A pesquisa procura entender o que leva o ser humano, quando lhe é oferecido a possibilidade de receber conteúdo jornalístico através de plataformas eletrônicas (rádio e TV) e/ou digitais (Web), preferir notícias que contenham a percepção de “tempo real”. Para isso, foi necessário cruzar conceitos e práticas jornalísticas com informações de outras áreas do conhecimento humano, como a Ciência Cognitiva, visando compreender o fenômeno de forma mais clara um tema complexo e de caráter pluridisciplinar.
Pesquisas indicam que o tempo na vida humana deve-se à descoberta de que ele governa as atividades biológicas e mentais do homem e que o tempo presente é o mais importante dos “tempos” criados pelo ser humano. Existe uma vinculação entre o tempo presente e o sistema de atenção humana. Essa conexão é necessária para que o homem obtenha a informação para sua sobrevivência e, parece ter, um grau de prioridade maior em relação aos outros tipos de informação.
A hipótese é que o Jornalismo se aproveita dessa “característica” inerente ao ser humano para sincronizar o seu modelo de negócio, de entrega de informação de relevância social, no tempo criado biologicamente e mentalmente pelas necessidades humanas.
Para isso cria rótulos de produtos noticiosos com alusão ao “tempo real” e utiliza as potencialidades das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) para emular a sensação de imediatismo no receptor da informação jornalística.
Entretanto, o conjunto mente/cérebro trabalha com uma defasagem entre o recebimento da informação sensorial e o seu processamento e as TIC’s também têm o seu atraso (delay), entre a captação da informação e a disponibilização dela nos receptores (TV, Rádio e Internet). Esses fatores impossibilitam que a informação jornalística seja recebida e absorvida em “tempo real”.
Porém, a despeito dessas questões científicas, a pequisa mostra que o Jornalismo construiu um modelo de negócio baseado no “tempo real”, que tem como fator principal a velocidade na transmissão da informação. A utilização dos tempos biológicos e mentais do ser humano e as TIC’s tornaram-se, para o Jornalismo, atributos fundamentais para o seu modelo de negócio de “tempo real”.
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